Os canais de Suez e do Panamá, duas das mais importantes vias de navegação do mundo, implementaram novas regras. Como essas novas regras afetarão o transporte marítimo?
Canal do Panamá deverá aumentar o tráfego diário
No dia 11, horário local, a Autoridade do Canal do Panamá anunciou que ajustará o número diário de embarcações de 24 para 27, a partir do dia 18 deste mês, sendo este o primeiro aumento para 26 embarcações, e o segundo para 27. A Autoridade do Canal do Panamá informou que o ajuste foi feito após análise dos níveis atuais e projetados do Lago Gatun.
Devido a uma seca prolongada causada pelo fenômeno El Niño, o Canal do Panamá, como uma via navegável transoceânica, começou a implementar medidas de conservação de água em julho do ano passado, reduzindo o tráfego de navios e a profundidade da via navegável. O canal vem reduzindo gradualmente o tráfego de navios há vários meses, chegando a um ponto em que o número caiu para 18 por dia.
A Autoridade do Canal do Panamá (ACP) informou que duas vagas adicionais estarão disponíveis por meio de leilão para datas de trânsito a partir de 18 de março, e uma vaga adicional estará disponível para datas de trânsito a partir de 25 de março.
Em plena capacidade, o Canal do Panamá pode permitir a passagem de até 40 navios por dia. Anteriormente, a Autoridade do Canal do Panamá reduziu a profundidade máxima de calado em suas eclusas maiores, diminuindo também o número de travessias diárias.
Em 12 de março, havia 47 navios aguardando para atravessar o canal, número inferior ao pico de mais de 160 em agosto do ano passado.
Atualmente, o tempo de espera para a passagem não programada no sentido norte pelo canal é de 0,4 dias, e o tempo de espera para a passagem no sentido sul pelo canal é de 5 dias.
O Canal de Suez impõe uma sobretaxa a alguns navios.
A Autoridade do Canal de Suez anunciou na quarta-feira que decidiu impor uma taxa adicional de US$ 5.000 às embarcações que recusarem ou não puderem aceitar serviços de amarração a partir de 1º de maio. A autoridade também anunciou novas tarifas para serviços de amarração e iluminação, que totalizarão US$ 3.500 por embarcação para serviços fixos de amarração e iluminação. Caso a embarcação em trânsito necessite de serviço de iluminação ou a iluminação não esteja em conformidade com as normas de navegação, a taxa de serviço de iluminação mencionada no parágrafo anterior será acrescida de US$ 1.000, totalizando US$ 4.500.
A Autoridade do Canal de Suez anunciou em 12 de março que decidiu impor uma taxa adicional de US$ 5.000 às embarcações que se recusarem ou não puderem aceitar serviços de amarração a partir de 1º de maio.
Em uma entrevista recente à televisão local, o presidente da Autoridade do Canal de Suez, Rabieh, revelou que as receitas do Canal de Suez entre janeiro e o início de março deste ano caíram 50% em comparação com o mesmo período do ano passado.
O tráfego de navios pelo Canal de Suez está atualmente 40% menor devido às tensões no Mar Vermelho e ao grande número de embarcações que estão sendo desviadas.
Os preços dos fretes para a Europa dispararam.
Segundo os dados mais recentes divulgados pelo Serviço Aduaneiro da Coreia, em janeiro deste ano, o frete marítimo de contêineres de exportação da Coreia do Sul para a Europa aumentou 72% em relação ao mês anterior, registrando o maior aumento desde o início da coleta de dados em 2019.
O principal motivo é que a crise do Mar Vermelho obrigou as companhias de navegação a desviarem suas rotas para o Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, e a viagem mais longa resultou em fretes mais caros. O prolongamento dos horários de embarque e a queda no volume de contêineres impactaram negativamente as exportações da Coreia do Sul. Segundo os dados mais recentes da Alfândega de Busan, as exportações da cidade caíram quase 10% no mês passado em comparação com o mesmo período do ano anterior, com uma queda de 49% nas exportações para a Europa. A principal razão é que, devido à crise do Mar Vermelho, está difícil encontrar navios cargueiros para transportar veículos de Busan para a Europa, o que bloqueou as exportações locais de automóveis.
Data da publicação: 21/03/2024
