Após os EUA imporem oficialmente uma tarifa de 50% sobre as importações da Índia, a Índia prorrogou a isenção das tarifas de importação de algodão até o final de dezembro.

Em 28 de agosto (quinta-feira), um dia após a entrada em vigor da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos indianos, o governo indiano prorrogou a isenção de tarifas de importação sobre o algodão em bruto até 31 de dezembro de 2025.
Antes da isenção, aproximadamente 11% das tarifas eram aplicadas ao algodão importado pela Índia. O Ministério das Finanças declarou que o período de isenção inicialmente anunciado era de 19 de agosto a 30 de setembro, e que agora foi prorrogado para abranger os últimos três meses deste ano.
Essa decisão, embora tenha como objetivo apoiar a indústria têxtil nacional antes da temporada de festas de fim de ano, também é vista como uma postura calculada em relação a Washington em meio a tensas relações comerciais.
Isso ocorreu em um momento crucial na relação comercial entre a Índia e os EUA. Washington impôs recentemente altas tarifas recíprocas sobre as exportações indianas, e as negociações comerciais estão paralisadas. Em fevereiro deste ano, os líderes dos dois países concordaram em assinar a primeira fase do acordo comercial bilateral até o outono de 2025.
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Ajay Srivastava, fundador da Global Trade Research Initiative (GTRI), um think tank indiano, afirmou: "Esta é uma medida calculada que aborda as preocupações dos Estados Unidos, ao mesmo tempo que protege as sensibilidades internas". Ele acrescentou que o período de prorrogação permitirá que Nova Déli mantenha sua vantagem nas negociações bilaterais.
Segundo o jornal The Times of India, altos funcionários do governo indiano confirmaram que os Estados Unidos cancelaram o envio de representantes a Nova Déli para a sexta rodada de negociações comerciais bilaterais, que ocorreria entre 25 e 30 de agosto. O cancelamento da visita da delegação americana à Índia indica que a primeira fase das negociações do acordo comercial bilateral entre os dois países pode não ser concluída conforme planejado inicialmente, antes do outono (do hemisfério norte).
A produção de algodão na Índia vem diminuindo, caindo de aproximadamente 33,7 milhões de fardos no ano fiscal de 2023 para cerca de 30,7 milhões de fardos no ano fiscal de 2025. Isso obrigou as fábricas têxteis a aumentarem as importações. Associações do setor vêm alertando que a escassez de oferta pode elevar os custos do fio de algodão e das roupas, ameaçando a competitividade das exportações.
Para os exportadores americanos, essa mudança representa uma oportunidade direta. No ano fiscal de 2025, os 1,2 bilhão de dólares em algodão importados pela Índia eram quase inteiramente de algodão com comprimento de fibra de 28 milímetros ou mais. Os Estados Unidos são o principal fornecedor nesse segmento.
Um executivo de uma importante associação de exportadores de vestuário afirmou: “O algodão é o ponto de discórdia nas negociações. Essa medida pode injetar boa vontade no diálogo e abrir caminho para concessões tarifárias mais amplas para o setor têxtil.”
A importação de algodão na Índia aumentou acentuadamente, passando de 1,52 milhão de fardos no ano fiscal de 2024 para 2,71 milhões de fardos no ano fiscal de 2025. Os principais fornecedores foram os Estados Unidos, o Brasil, o Egito, o Benim, a Tanzânia e outros países africanos.
Embora a imposição de tarifas por Washington tenha lançado uma sombra sobre as perspectivas do comércio bilateral, as ações de Nova Déli em relação à questão do algodão foram interpretadas como uma tentativa de amenizar a disputa.
De acordo com os resultados da pesquisa da Crisil Ratings, com a entrada em vigor da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre os produtos importados da Índia em 27 de agosto, o crescimento da receita da indústria têxtil indiana diminuirá em quase metade em comparação com o ano fiscal anterior. Somado à queda na lucratividade, isso afetará os indicadores de crédito dos participantes do setor. A empresa afirmou que esse impacto variará de empresa para empresa, já que algumas delas obtêm mais de 40% de sua receita dos Estados Unidos.


Data da publicação: 03/09/2025