Comporta do Canal de Suez "paralisada"! Mais de 100 navios porta-contêineres, avaliados em mais de US$ 80 bilhões, ficaram retidos ou tiveram suas rotas desviadas, e gigantes do varejo alertaram para possíveis atrasos.

Desde meados de novembro, os houthis têm realizado ataques contra "embarcações ligadas a Israel" no Mar Vermelho. Pelo menos 13 empresas de transporte marítimo de contêineres anunciaram que suspenderão a navegação no Mar Vermelho e em águas próximas ou contornarão o Cabo da Boa Esperança. Estima-se que o valor total da carga transportada por navios desviados da rota do Mar Vermelho tenha ultrapassado US$ 80 bilhões.

 

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Segundo as estatísticas de rastreamento de uma plataforma de big data do setor marítimo, em 19 de setembro, o número de navios porta-contêineres que atravessavam o Estreito de Bab el-Mandeb, na junção do Mar Vermelho com o Golfo de Aden, a entrada do Canal de Suez, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, caiu para zero, indicando que a passagem crucial para o Canal de Suez foi paralisada.

 

Segundo dados da empresa de logística Kuehne + Nagel, 121 navios porta-contentores já abandonaram a rota pelo Mar Vermelho e Canal de Suez, optando por contornar o Cabo da Boa Esperança, na África, acrescentando cerca de 6.000 milhas náuticas e potencialmente aumentando o tempo de viagem em uma a duas semanas. A empresa prevê que mais navios seguirão essa rota alternativa no futuro. De acordo com uma reportagem recente do canal americano Consumer News & Business Channel, a carga desses navios desviados da rota do Mar Vermelho está avaliada em mais de US$ 80 bilhões.

 

Além disso, para os navios que ainda optam por navegar no Mar Vermelho, os custos de seguro saltaram de cerca de 0,1% a 0,2% do valor do casco para 0,5% esta semana, ou US$ 500.000 por viagem para um navio de US$ 100 milhões, de acordo com diversos relatos da mídia estrangeira. A mudança de rota implica em custos de combustível mais altos e atrasos na chegada das mercadorias ao porto, enquanto a continuidade da travessia do Mar Vermelho acarreta maiores riscos de segurança e custos de seguro, colocando as empresas de logística marítima em um dilema.

 

Autoridades das Nações Unidas afirmam que os consumidores serão os mais afetados pelo aumento dos preços das commodities caso a crise nas rotas de navegação do Mar Vermelho persista.

 

A gigante global de mobiliário doméstico alertou que alguns produtos podem sofrer atrasos.

 

Devido ao agravamento da situação no Mar Vermelho, algumas empresas começaram a utilizar uma combinação de transporte aéreo e marítimo para garantir a entrega segura e pontual de mercadorias. O diretor de operações de uma empresa alemã de logística responsável pelo transporte aéreo afirmou que algumas empresas optam por transportar as mercadorias primeiro por via marítima até Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e de lá, por via aérea até o destino final. Além disso, um número crescente de clientes tem confiado à empresa o transporte de roupas, produtos eletrônicos e outras mercadorias por via aérea e marítima.

 

A gigante global de móveis IKEA alertou para possíveis atrasos na entrega de alguns de seus produtos devido aos ataques dos houthis a navios que se dirigem ao Canal de Suez. Um porta-voz da IKEA afirmou que a situação no Canal de Suez causará atrasos e poderá levar à limitação do fornecimento de certos produtos da IKEA. Em resposta a essa situação, a IKEA está em diálogo com as empresas de transporte para garantir que as mercadorias possam ser transportadas com segurança.

 

Ao mesmo tempo, a IKEA também está avaliando outras opções de rotas de abastecimento para garantir que seus produtos possam ser entregues aos clientes. Muitos dos produtos da empresa normalmente viajam pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez, de fábricas na Ásia para a Europa e outros mercados.

 

A Project 44, fornecedora de serviços de plataforma de visualização de informações da cadeia de suprimentos global, observou que evitar o Canal de Suez acrescentaria de 7 a 10 dias aos prazos de entrega, podendo levar à falta de estoque nas lojas em fevereiro.

 

Além dos atrasos na entrega de produtos, viagens mais longas também aumentarão os custos de frete, o que poderá impactar os preços. A empresa de análise de transporte marítimo Xeneta estima que cada viagem entre a Ásia e o norte da Europa poderá custar US$ 1 milhão a mais após a mudança de rota, um custo que, em última análise, será repassado aos consumidores que compram os produtos.

 

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Outras marcas também estão acompanhando de perto o impacto que a situação no Mar Vermelho pode ter em suas cadeias de suprimentos. A fabricante sueca de eletrodomésticos Electrolux criou uma força-tarefa com suas transportadoras para analisar uma série de medidas, incluindo a busca por rotas alternativas ou a priorização de entregas. No entanto, a empresa espera que o impacto nas entregas seja limitado.

 

A empresa de laticínios Danone afirmou estar monitorando de perto a situação no Mar Vermelho, juntamente com seus fornecedores e parceiros. A varejista de roupas americana Abercrombie & Fitch Co. planeja mudar para o transporte aéreo para evitar problemas. A empresa disse que a rota do Mar Vermelho para o Canal de Suez é importante para seus negócios, pois toda a sua carga da Índia, Sri Lanka e Bangladesh passa por essa rota rumo aos Estados Unidos.

 

Fontes: Mídia oficial, notícias da internet, rede de transporte marítimo


Data da publicação: 22 de dezembro de 2023